07 fevereiro 2015

A Santa Teofania : O Batismo de Nosso Senhor e Deus Jesus Cristo



No dia da festa da Teofania - Batismo do Senhor - faz sentido lembrarmos de outro batismo: o batismo que foi realizado sobre cada um de nós, cristãos ortodoxos, o batismo no qual cada um de nós, pelo boca dos nossos padrinhos, fizemos uma promessa a Deus, de sempre renunciar Satanás e suas obras e sempre nos unirmos, juntar-nos com Cristo. 

Isso, repito, é especialmente adequado para o dia de hoje. O rito solene da Santificação das águas será celebrado também neste dia. 

O centro, a sua parte principal, pode-se dizer, é a majestosa oração em que o Senhor é glorificado e a graça do Espírito Santo é chamada para descer sobre a água que está sendo santificada. 

Quem quer que tenha participado ao menos de uma celebração do mistério do Batismo e se manteve atento, sabe que a oração da santificação da água em que um homem será batizado começa com as mesmas palavras, e na primeira parte desta oração é completamente a mesma, tanto na Santificação das águas quanto no mistério do Batismo. 

E só depois, no final, temos a oração, com o mistério do Batismo,a transformação aplicável a este mistério, quando uma nova alma humana será batizada. 

E assim, não nos faria mal nenhum lembrar aqueles votos dados no batismo em nome de cada um de nós. 

Quando um homem é batizado como um adulto, como ainda agora algumas vezes acontece, e aconteceu especialmente na Antiguidade, muitas vezes, ele mesmo faz os votos em seu próprio nome, mas se ele é batizado na infância, seu padrinho ou madrinha - seus patrocinadores, como a Igreja os chama - pronunciaram estes votos para ele. 

E assim, esses votos, em que um cristão prometeu a Deus renunciar a Satanás e todas as suas obras e juntar-se, unir-se com Cristo, estes votos não são apenas esquecidos pelas pessoas, mas muitos, em geral, não sabem nada sobre eles ou sobre os fato de que esses votos foram pronunciados por eles e que deveriam pensar um pouco sobre como devem cumprir essas promessas. 

E se no último dia da história da raça humana sobre a terra, no dia do Juízo verifica-se que um homem (ou de seus patrocinadores) fizeram votos, e ele não sabe mesmo o que os votos eram e o que foi prometido? O que vai acontecer com esse homem? 

Pense, irmãos, sobre o que significa renunciar a Satanás e todas as suas obras e unir-se a Cristo. 

Os tempos agora são tais que o inimigo do homem, tomou posse da humanidade e, como se dizia nos tempos antigos, as forças de quase todas as pessoas dançam à sua música. 

É desta grande luta e adversidade a qual a nossa vida atual é composta, onde não há Deus, no qual os inimigos de Deus dominam e impõem suas regras. 

Se nós fizemos uma promessa de renunciar a Satanás e todas as suas obras, então, para cumprir tal promessa, devemos nos esforçar para não sufocar a nossa alma com essa agitação, mas sim rejeitá-la e buscarmos lembrar, de como a Igreja ensina, só uma coisa é necessária para nós lembremos sempre :temos de unir-nos com Cristo, isto é, não só cumprir os Seus mandamentos, mas também nos esforçarmos para nos unir a Ele. 

Pense, então, sobre isto, ó alma cristã, no dia desta grande e radiante festa, pense e reze para que o Senhor te envie uma fé firme e a determinação para cumprir essas promessas, para não ser engolido pela agitação do mundo e nisso acabar por perder o vínculo com o Senhor, vínculo este estabelecido com os votos quem fizeste de juntar-se a Ele para sempre. 

A Festa de hoje é chamada a festa do Batismo do Senhor ou a festa de Theofania, mas aqueles que conhecem bem o Typicon, sabem também que algumas vezes esta festa é descrita como a Santas Theofanias, no plural. 

E qual a razão para isso? Aqui está o porquê: É claro, que os cantores relatavam sobre ter a Palavra de Deus hoje se feito carne para a raça humana como o centro das comemorações do dia desta festa . O Filho de Deus encarnado, cujo nascimento, quando se deu, só muito poucos sabiam, apareceu para a raça humana neste momento, pois o Batismo é, por assim dizer, a inauguração solene do Seu ministério, que Ele realiza até a sua morte e ressurreição. 

Mas, ao mesmo tempo, o fato de ser justamente nesta festa que a Santissima Trindade foi manifestada, como é cantado em seu tropario,caracteriza a festa de hoje. 

Todas as três Pessoas da Santíssima Trindade, aparecem, pela primeira vez em suas distinções, e é também por isso que esta festa, repito, é chamada a festa das Santas Theofanias. 

Os homens ouviram a voz de Deus Pai: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo (em quem me agrado).
O Filho de Deus aceitou o batismo de João, e o Espírito Santo, sob a forma de uma pomba desceu do Pai, para o Filho. 

Desta forma, o culto da Santíssima Trindade foi manifestado pela primeira vez, razão pela qual a Igreja A canta no tropario, e porque ela chama esta festa de a festa da Santas Theofanias. 

Cristo, o Salvador apareceu a fim de iniciar seu ministério da Salvação. 

Aqui, não faz muito tempo, quando de uma outra grande festa da Natividade de Cristo, foi dito que o Senhor, por seu nascimento numa gruta pobre, quando Ele se dignou a ser colocado em uma manjedoura de gado, Ele estava energicamente rejeitando toda a glória terrena, todo o esplendor e magnificência da terra, porque Ele não se dignou a aparecer nas câmaras dos palácios reais ou dos ricos, mas precisamente nas condições de pobreza e modestia.

Ele imediatamente mostrou que tinha trazido para a Terra um novo princípio, o princípio da humildade. 

Olhe, então, como Ele mesmo, por assim dizer, é verdadeiro em si mesmo, pois mesmo agora, hoje na grande festa que celebramos, Ele institui novamente o princípio da humildade de forma manifesta e sem deixar qualquer dúvida, para nós. 

Para onde Ele foi? À Jordânia. Por quê? Para ser batizado por João Batista. 
Mas os pecadores, buscavam João, confessavam seus pecados a ele e eram batizados. 

Mas Ele era sem pecado, não poderia ser tocado pelo pecado, era absolutamente puro e livre dele. Mas ainda assim, Ele humildemente, fez companhia aos pecadores, como se Ele tivesse necessidade desta limpeza pela água. 

Sabemos que a água não iria purifica-lo, mais sim que o Unico sem pecado iria santificar a água por se dignar a ser lavado por ela, como se canta hoje, durante a santificação da água.

E assim, Jesus Cristo trouxe o princípio da humildade para a terra e foi fiel a este princípio durante todo o curso da sua vida. 

Mas isso não é tudo. Ele também deixou-nos este testemunho: Vinde e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e achareis descanso para as vossas almas. 

Lembramos então de uma outra radiante e alegre celebração, a Festa da Anunciação. 

Nela, a Santíssima Virgem Maria ouve as boas novas do Arcanjo , de como a Encarnação de Deus será realizada através Dela. 

O que fez a Sua santíssima pura e irrepreensível alma dizer quando ela foi visitar sua prima Elizabete, a fim de compartilhar sua alegria com ela? 

Ela apenas disse: "A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque ele vê a humildade de sua serva".

Esta humildade era a beleza do seu espírito. A partir do relato da Anunciação, sabemos que o Arcanjo apareceu-lhe no momento em que ela, tendo lido a profecia de Isaías sobre a Encarnação de Deus de uma virgem, não foi sequer pensar em direcionar esta importancia a si mesma, mas apenas o pensamento na profundidade da sua humildade: "Como eu seria feliz se eu fosse ao menos escrava da Santíssima Virgem". 

E então se fez o Arcanjo Gabriel à sua frente com a sua boa nova. 

O Senhor, manso e humilde, considerou a Sua humildade. 

Ele também intimou a nós a termos humildade, para sermos contrários aos princípios de orgulho e do amor-próprio pelos quais respira hoje a humanidade. 

Vejamos por que há tantas discordâncias entre nós, tanto dentro do recinto da Igreja quanto nas paróquias? Porque por toda a parte os homens por amor-próprio rivalizam uns com os outros, mas se tivessemos a humildade que o Senhor nos ensina, se ela pudesse ser encontrada em nós, nada disto aconteceria. 

Vamos então, irmãos, aprender com o nosso Salvador, que como um pecador, foi ate a João para ser batizado por ele, vamos aprender com Ele este virtude amada e perfumada de Deus, sem a qual, como os Santos Padres afirmaram , nenhuma outra virtude pode ser perfeita. 

Amen. 

Abençoado Metropolita Filareto de Nova York.

Ortodoxia


Estimados filhos em Cristo,

A titulo catequético apresento algumas questões referentes a nossa Igreja e a Igreja Católica Romana, especialmente quanto a aspéctos históricos, liturgicos e teológicos sobre as duas denominações. Embora o que nos aproxima seja mais do que o que nos separa entendo de bom tom termos alguma claresa quanto aspectos particulares de cada uma delas.
O sacerdote (padre) da Igreja Ortodoxa, assim como na Igreja Católica Romana, é revestido do 2º grau da ordem para poder celebrar os divinos mistérios ou, como chamamos, a Divina Liturgia (Missa). O sacerdote é o ministro da Eucaristia por excelência.

Podemos encontrar inumeras publicações que apontam as peculiaridades da igreja latina (Católica Romana) e da igreja ortodoxa. Alguns links para pesquisa são:





Vale ressaltar que, até o grande cisma de 1054, quando houve a separação Ocidente-Oriente, éramos uma só Igreja, os mesmos sacramentos, os mesmos concílios ecumênicos, a mesma fé. As Igrejas Ortodoxas conservam-se todas fiéis ao que receberam dos santos Apóstolos, sem nenhuma alteração na fé herdada dos santos Padres da Igreja. A igreja de Roma introduziu inovações que nos são estranhas, como: a obrigatoriedade do celibato; a eucaristia numa única espécie e pão não fermentado; a infalibilidade papal; a pretensão de submeter as demais igrejas ao Bispo de Roma; os dogmas da Imaculada Conceição; Purgatório etc e etc resultando em um distanciamento ainda maior.

Entretanto, os esforços dos últimos Patriarcas Ecumênicos e dos Papas de Roma, e de tantos outros líderes das igrejas Ortodoxas e Católica, abriram canais importantes de diálogo em vários âmbitos e já há algum tempo sentimos que tem havido uma positiva reaproximação e se conserva uma santa vontade de unidade de ambos os lados. Na seção Diálogo Ecumênico do site Ecclesia pode-se pesquisar sobre a história e grande avanço desta reaproximação.

Em síntese, ainda que nos respeitemos uns aos outros, a verdade é que católicos romanos e ortodoxos não vivem ainda a plena comunhão desejada por todos nós. Sendo assim, somente em casos excepcionais, e com autorização das autoridades eclesiásticas próprias, é concedido a um católico-romano comungar em uma Igreja Ortodoxa e vice-versa. Isso não significa que não reconheçamos a Eucaristia na Igreja Católica. Mesmo assim, não há nenhum impedimento de um católico-romano assistir a Divina Liturgia Ortodoxa quando desejar, e sempre serão, os que assim fizerem, muito bem-vindos. 

Em XC,

Ecônomo Padre Emanuel Sofoulis.

Comportamento Cristão

Estimados filhos em Cristo,
 
Vivemos no mundo mas não somos do mundo, nosso destino é a pátria celeste. Aqui estamos por um designio Divino e nunca disto devemos nos esquecer. Nossa presença na Terra nada mais é que uma palha do que será nossa vida e existência futura. Nas palavras do Santos Padres somos chamados à deificação, a nos elevarmos para o alto, a partilhar da Glória de Deus que nos é dada por Sua infinita misericórdia.

Mas isto não faz de nossas vidas, vidas sem sentido ou compromisso. Aqui estamos para nos tornarmos santos, separados do mundo, mas no mundo vivendo. Separados não como os fariseus, que tinham na letra da lei a palavra de suas bocas, mas que não habitava seus corações. Ter a lei é te-la no coração, vivencia-la, pratica-la. É saber que o que temos nos foi dado por obra, graça e bondade de Deus e com humildade e sabedoria devemos assim administrar e viver o que nos foi dado. O zelo, a humildade, o constante e atento olhar para o fato de que somos pó e que ao pó retornaremos não deve desaparecer de nossas mentes, corações e atos.

Para o dia de hoje encaminho um trecho da Carta de São Paulo a Tito, um pedaço do Salmo 36 e versículos do capítulo 17 do Evangelho de São Lucas. Todas estas leituras nos falam do comportamento que deve guiar o cristão, que seja exemplo para os seus na observancia dos mandamentos, no zelo de atitudes e de humildade sincera. Por fim, para nosso regozijo encaminho um comentário de Santo Agostinho, doutor da Igreja e bispo de Hipona, que depois de anos vivendo errante no mundo descobriu as maravilhas da fé em Deus.

Em Cristo Jesus,

Pe. Emanuel Sofoulis. 
 
 
Carta a Tito 2,1-8.11-14.
Caríssimo: Ensina o que é conforme à sã doutrina. 
Os anciãos sejam sóbrios, dignos, prudentes, firmes na fé, na caridade e na paciência. 
Do mesmo modo, as anciãs tenham um comportamento reverente, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras de virtude, 
a fim de ensinarem as jovens a amar os maridos e os filhos, 
a serem prudentes, castas, boas donas de casa e dóceis aos maridos, de modo que a palavra de Deus não seja difamada. 
Exorta igualmente os jovens a serem moderados, 
apresentando-te em tudo a ti próprio como exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de dignidade, 
de palavra sã e irrepreensível, para que os adversários fiquem confundidos, por não terem nada de mal a dizer de nós. 
Com efeito, manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens, 
para nos ensinar a renúncia à impiedade e aos desejos mundanos, a fim de vivermos no século presente com sobriedade, justiça e piedade, 
aguardando a bem-aventurada esperança e a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. 
Ele entregou-se por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade e de purificar e constituir um povo de sua exclusiva posse e zeloso na prática do bem. 
 
Livro de Salmos 37(36),3-4.18.23.27.29.
A salvação dos justos vem do Senhor.

Confia no Senhor e faz o bem; 
habitarás a terra e viverás tranquilo. 
Procura no Senhor a tua felicidade,  
e Ele satisfará os desejos do teu coração. 

O Senhor conhece os dias do homem honesto 
e a herança dele será para sempre. 
O Senhor assegura os passos do homem
e compraz se nos seus caminhos.

Afasta-te do mal e pratica o bem
e permanecerás para sempre.
Os justos possuirão a terra
e nela habitarão para sempre

Evangelho segundo S. Lucas 17,7-10.

Naquele tempo, disse o Senhor: «Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, quando ele regressar do campo: 'Vem cá depressa e senta-te à mesa'? 
Não lhe dirá antes: 'Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, enquanto eu como e bebo; depois, comerás e beberás tu'? 
Deve estar grato ao servo por ter feito o que lhe mandou? 
Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.'» 


Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermões sobre o Evangelho de João, 14,5; CCL 36, 143-144 

O serviço humilde

Antes da vinda do Senhor Jesus, os homens gloriavam-se de si próprios. Ele veio como homem para que diminuísse a glória do homem e crescesse a glória de Deus. Porque Ele veio sem pecado e nos encontrou a todos pecadores. Se Ele veio para perdoar os pecados, é porque Deus é misericordioso: compete ao homem reconhecê-lo. Porque a humildade do homem está nesse reconhecimento, e a grandeza de Deus na sua misericórdia.

Se Ele veio perdoar ao homem os seus pecados, que o homem tome consciência da sua pequenez e de que Deus exerce a Sua misericórdia. «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30). Ou seja: é necessário que Ele dê e que eu receba; que Ele tenha a glória e que eu a reconheça. Que o homem entenda qual é o seu lugar, que reconheça Deus e escute o que o apóstolo Paulo diz ao homem soberbo e orgulhoso que pretendia superiorizar-se: «Que tens tu que não hajas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias como se não o tivesses recebido?» (1 Cor 4,7). Que o homem que queria chamar seu ao que não era dele compreenda pois que o recebeu e se faça pequenino, porque é bom para ele que Deus seja glorificado nele. Que se diminua pois em si mesmo, para que Deus cresça nele.

16º Domingo de Lucas

PATRIARCADO ECUMÊNICO DE CONSTANTINOPLA
Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul
Igreja Anunciação da Mãe de Deus
SGAN - Quadra 910 - Módulo ‘’B’’ - CEP: 70.790-100 - Brasília-DF
_____________________________________________________________________
Brasília, 01 de fevereiro de 2015
______________________________________________________________________________________________________________________________

16º Domingo de Lucas

Início da Quaresma - Triódion

DOMINGO DO PUBLICANO E DO FARISEU

10º antes da Páscoa

Comemoração de São Trifon († 250)


Matinas

Tropário:
Embora a pedra fora selada pelos Judeus, e os soldados guardassem Teu puríssimo corpo, ressurgiste no terceiro dia, ó Salvador, dando a vida ao mundo. Por isso, as potestades celestes a Ti, fator da vida, clamaram glória à Tua ressurreição, ó Cristo, glória ao Teu reino, glória à Tua providência, Tu que És o único filantropo.
Glória ao Pai +, ao Filho e ao Espírito Santo,

Embora a pedra fora selada pelos Judeus, e os soldados guardassem Teu puríssimo corpo, ressurgiste no terceiro dia, ó Salvador, dando a vida ao mundo. Por isso, as potestades celestes a Ti, fator da vida, clamaram glória à Tua ressurreição, ó Cristo, glória ao Teu reino, glória à Tua providência, Tu que És o único filantropo.
Agora, sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Theotokion:
Gabriel te trouxe a salvação, ó Virgem, o Senhor de todas as coisas se fez carne em Ti, Tu és a arca santa de Seu poder, como disse o justo Davi.
Ti tornaste mais vasta que os céus, porque carregaste o Criador.
Glória àquele que fez sua morada em Ti!
Glória àquele que veio de Ti !
Glória àquele que nos libertou pelo teu parto!

Katisma:
Ó Salvador, os soldados que guardavam Teu sepulcro, com os olhos ofuscados pelo brilho da aparição do anjo tombaram como mortos, enquanto as Santas mulheres proclamavam a Tua ressurreição.
Ó destruidor da morte, prostrados a Teus pés, nós Te glorificamos a Ti que ressuscitaste do sepulcro, porque és o nosso único Deus.
Glória ao Pai +, ao Filho e ao Espírito Santo.

Ó Deus de misericórdia, livremente quiseste ser crucificado!
Ó doador da vida, como um morto foste colocado no sepulcro!
Ó poderoso, por Tua morte quebraste o império da morte. Ó amigo do homem, os guardas diante de Ti, logo que despertaste aqueles que estavam mortos há séculos!
Agora, sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.


Theotokíon:
Nós te conhecemos como a Mãe de Deus e após o teu parto, nós vimos brilhar tua virgindade . com amor, nós nos refugiamos em ti, ó toda bondade . Nós, pobres pecadores, em ti encontramos, nosso único refúgio, em ti depositamos nossa salvação em meio às provas, porque és a única sem mancha.

Ypakoí:
O arrependimento do ladrão o fez ganhar o paraíso. O lamento das portadoras de aromas proclamou a boa nova de que tinhas ressuscitado dando ao mundo sua grande misericórdia, ó Cristo.

Antifona:
Clamo à Ti, ó Senhor, no meu sofrer . Presta ouvidos à minha dor.
Verdadeiramente a vida dos habitantes do deserto é feliz, porque eles são conduzidos pela Tua divina paixão.
Glória ao Pai +, ao Filho e ao Espírito Santo. Agora, sempre e pelos séculos dos séculos . Amém.
Pelo Espírito Santo toda criação, visível e invisível, é preservada, porque Ele é todo Poderoso e é verdadeiramente, uma das Três Pessoas Divinas.

Prokimenon:
Agora eu me levantarei, diz o Senhor; faço a salvação e a declaro. ( 2x )

Stichos:
As palavras do Senhor, são palavras puras. ( repete a 1ª.)

Evangelho                                                                              Mt 28, 16-20
Evangelho de Nosso Senhor Jesus + Cristo, segundo o Evangelista São Mateus.

Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; e Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.

Kondakion:
Na Tua glória, ressuscitaste do túmulo, porque és Deus; o mundo ressuscita contigo e os homens Te celebram como Deus; a morte desaparece, Senhor; Adão, livre dos entraves, se rejubila; Eva, na sua alegria clama: "Ó Cristo, dá a Tua ressurreição aos homens".

Ikós:
Cantemos o ressuscitado do terceiro dia o Deus Todo-Poderoso, aquele que destrói as portas do inferno e eleva o túmulo os santos, seus fiéis! Benevolentemente,
Ele apareceu as santas mulheres, dizendo: "Alegrai-vos", e revelou a alegria aos apóstolos, Ele é o único doador da vida.
As mulheres clamavam, anunciando aos discípulos a boa nova, os sinais da vitória. O inferno geme, a morte se lamenta e o universo se rejubila. Ó Cristo, toda criação se alegra, pois Tu deste a todos a ressurreição.

Exapostilarion:
Vamos com os discípulos para o Monte da Galiléia para ouvir o Cristo dizer: "Toda autoridade me foi dada no céu e na terra"; e aprender a batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; e ouvir a promessa de que Ele estará com seus eleitos até a consumação do mundo.

Theotokion:
Ó Virgem Mãe de Deus, tu que te alegraste quando viste com os discípulos, o Cristo se levantar do túmulo, após três dias, como Ele havia predito; e aparecer-lhes para ensinar os bons atos; e ordenar o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Fazendo-te acreditar na Sua ressurreição e glorificando-te.

Laudes:
1º - Cada criatura deve louvar o nome do Senhor. Louvai, pois, o Senhor, do alto dos céus.
Louvai o Senhor das alturas; porque Ele merece ser louvado eternamente.

2º - Louvai o Senhor, todos os seus anjos e sua força, pois Ele merece, para sempre ser louvado. Esta glória será para todos os seus justos.
Ó Cristo, nós cantamos Tua paixão salutar e glorificamos Tua ressurreição.

3º - Cantem-lhe salmos com tambores e cítaras.
Tu que padeceste na cruz, venceste a morte e ressuscitaste dos mortos, preserva nossas vidas, ó Senhor que És o único Todo-Poderoso.
Louvai-O com a lira e a harpa; louva-O com adufes e danças.
4º - Ó Cristo que despojaste o inferno e elevaste o homem, por Tua ressurreição, concede-nos um coração puro para cantar para Ti e glorificar-te.
Louvai-O com címbalos sonoros.

5º - Ó Cristo, nós cantamos a Ti e glorificamos Tua divina humilhação.
Tu que nasceste da Virgem sem Te separar do Pai, sofreste como um mortal, por Tua própria vontade, padeceste na Cruz, ressurgiste do túmulo como de um leito nupcial para salvar o mundo.
Glória a Ti Senhor !

6º - Louvai-o com címbalos retumbantes.
Na hora em que foste pregado no madeiro da Cruz as forças inimigas foram condenadas à morte; a criação tremeu de temor e Teu poder despojou o inferno; ressuscitaste os fiéis de seus túmulos e abristes as portas do paraíso.
Ó Cristo, nosso Deus, glória a Ti.

7º - Todo ser que respira, louve o Senhor.
As Santas mulheres, portando mirra, dirigiram-se, às pressas, ao Teu sepulcro, chorando.
Elas encontraram a porta aberta e aprenderam do anjo, a história do novo e maravilhoso milagre;
Elas anunciaram a boa nova aos discípulos: O Senhor ressuscitou e concedeu ao mundo a grande misericórdia.

8º - Louvai-O com instrumentos de corda e de sopro. Louvai-O com címbalos sonoros.
Ó Cristo, nosso Deus, nos adoramos as chagas de Tua divina paixão.
E este grande sacrifício que celebraste em Sião, onde Deus se manifesta até o fim dos tempos.
Porque Tu, ó Sol da Justiça, brilhaste sobre aqueles que dormiam nas trevas para levá-los à luz que não se acaba.
Ó Senhor, glória a Ti.

9º - Confesso a Ti, ó Senhor, de todo coração e observo todos os Teus milagres.
Escutai, ó judeus e dizei-nos: Onde estão os selos do túmulo? Onde estão as muralhas?
Como vendeste aquele que não tem preço? Como roubaste o tesouro?
Judeus sem fé, porque caluniar a ressurreição do crucificado?
Ele ressuscitou, livre entre os mortos, concedendo ao mundo sua grande misericórdia.

Eothino:
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Para os discípulos que foram ao Monte que Ele designara, o Senhor se fez presente, antes de se desprender das coisas terrenas; ao verem O adoraram, entenderam toda autoridade de que o Senhor estava investido, receberam a missão de anunciar a Sua ressurreição dentre os mortos e Sua ascensão ao céu.
Receberam a promessa da presença divina entre eles, como Salvador de nossas almas, até a consumação dos séculos.
Agora, sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Theotokion:
Bendita e venerável és Tu, ó Mãe de Deus, em cujo seio se encarnou Aquele que visitou o inferno, libertando Adão e Eva da maldição, destruindo a morte e dando a vida a todos nós.
Por isso bendirei o Cristo em qualquer tempo, e sempre o Seu louvor estará em minha boca (2 vezes).

Hoje é a salvação do mundo. Louvemos Aquele que ressuscitou do túmulo, dando-nos origem a uma nova vida, porque anulou a morte com a Sua morte e nos concedeu a misericórdia de obter essa grande vitória.
Divina Liturgia
Anunciação - Modo 4:
É hoje o começo da nossa salvação e a manifestação do mistério eterno.
O Filho de Deus torna-Se Filho da Virgem e Gabriel anuncia a graça.
Por isso, cantamos com ele à Mãe de Deus:
“Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!”

Tropário da Ressurreição - 1º tom:
Embora a pedra fora selada pelos Judeus, e os soldados guardassem Teu puríssimo corpo, ressurgiste no terceiro dia, ó Salvador, dando a vida ao mundo. Por isso, as potestades celestes a Ti, fator da vida, clamaram glória à Tua ressurreição, ó Cristo, glória ao Teu reino, glória à Tua providência, Tu que És o único filantropo.

Kondakion – 1º tom:
Glória ao Pai +, ao Filho e ao Espírito Santo.
Tu, sendo Deus, te levantaste do túmulo, e devolveste a vida ao mundo; a natureza humana, por isso te louva: a morte foi vencida, Adão se regozija, ó Mestre, e Eva, liberta agora das cadeias da morte, com alegria exclama: Tu, Cristo, és o que a todos dá a Ressurreição!

Theotokion:
Agora, sempre e pelos séculos dos séculos. Amém
Quando Gabriel te saudou, ó Virgem, dizendo: "alegra-te!" e com sua voz, o Salvador encarnou-se em ti, tabernáculo santo; e, como falava o Justo Davi: "veio do céu trazendo o Criador de tudo", glória Àquele que habita em ti, glória Àquele nascido de ti e que nos libertou!

Kondakion do Publicano e do Fariseu:
Fujamos da soberba do Fariseu e aprendamos a humildade do Publicano manifestada pela sua compunção clamando ao Salvador:«Perdoa-nos Tu, ó único Clemente!»

Prokimenon:
Desça sobre nós, Senhor, a tua misericórdia conforme nossa esperança em Ti.
Exultai, ó justos, no Senhor, pois aos retos convém o louvor.

Epístola                                                                                  2Tm 3,10-15
Leitura da 2ª Epistola do Apóstolo São Paulo a Timóteo.

Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio, e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou; e também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.

Aleluia!
Aleluia, aleluia, aleluia!
Deus assegura a minha vitória e me submete os meus adversários.

Aleluia, aleluia, aleluia!
Salva maravilhosamente seu servo e usa de misericórdia com seu ungido.

Aleluia, aleluia, aleluia!


Evangelho                                                                                          Lc 18,10-14
Evangelho de Nosso Senhor Jesus + Cristo, segundo o Evangelista São Lucas.

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola: «Dois homens subiram ao Templo para rezar; um era fariseu, o outro era cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim no seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens, que são ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse cobrador de impostos. Eu faço jejum duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda'. O cobrador de impostos ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: 'Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!' Eu vos declaro: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva, será humilhado, e quem se humilha, será elevado».

Sinaxe

Três semanas antes dos quarenta dias (Quaresma) que antecedem a Páscoa, a Igreja Ortodoxa inicia o «Triódion» . Este nome é originado de uma coleção de livros litúrgicos que preparam os fiéis por meio de orações solenes para a Festa das festas do cristianismo: a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste tempo, as leituras, as orações e as súplicas enfatizam a importância da oração, do jejum e da penitência como importantes ingredientes do amadurecimento espiritual.
Iniciamos o «Triódion» com o «Domingo do Fariseu e do Publicano», onde refletimos sobre a sinceridade de nossa oração dirigida a Deus. Para isso, Jesus elabora uma parábola usando dois personagens que tinham em comum o desafeto do povo: o fariseu e o publicano, mas que se distinguem por ter ou não a humildade, ser ou não, humilde.
Os fariseus formavam um grupo de religiosos e, normalmente, são descritos pelos exegetas como pessoas que procuravam cumprir as normas e seguir a Lei de Moisés. Demonstravam grande zelo pelas suas tradições teológicas, cumpriam meticulosamente as práticas exteriores do culto e das cerimônias, ostentando uma devoção e um fervor religioso nem sempre autênticos. Entre os fariseus, muitos usavam a tradição para aparentar virtudes entre os demais, ocultando, no entanto, costumes dissolutos, mesquinhez, secura de coração e, sobretudo, muito orgulho. A espiritualidade era apenas aparente. Em Mateus, 23, o próprio Jesus chama estes fariseus de «sepulcros caiados», que, por fora se mostravam belos, mas interiormente estavam cheios de podridão!
Os fariseus eram os seguidores de uma das mais influentes ramificações
do Judaísmo. Os Publicanos, já mencionados no Evangelho de Zaqueu, eram os arrecadadores de impostos públicos, exigidos do povo judeu pelos romanos, que, cobrando sempre acima do que era devido, recolhiam para si dos impostos obtidos. Os judeus, que mal podiam suportar a dominação romana e não se conformavam com o pagamento de impostos, pois julgavam ser contra a lei, fizeram do caso uma questão religiosa. Abominavam, pois, esses agentes do fisco, considerando os publicanos como traidores e evitavam por isso qualquer contato com eles. Em suma, eram, os publicanos, renegados como gente da pior espécie.
Jesus se utiliza deste contexto sócio religioso díspare para semear sua mensagem carregada de misericórdia para com os humildes de coração. Novamente, a parábola é o recurso que usa para levar a Boa-Nova aos que necessitavam.
«Dois homens subiram ao templo, a fim de orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, estando em pó, orava assim consigo mesmo: 'Meu Deus, eu vos rendo graças porque não sou como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem mesmo como esse publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que possuo'» (Lc 18,10-12).
O fariseu, na parábola, demonstra uma atitude em que o orgulho e a soberba se deixam revelar pela postura que usa estando num lugar sagrado. Ele estava de pó. Não somente estava de pó, mas, como Jesus o descreve: «orava de si para si mesmo». Ele estava mais preocupado em lembrar-se de suas virtudes do que em falar com Deus. Esta atitude era também demonstrada pela própria oração. Não havia demonstração de reverência a Deus. Não havia manifestação de humildade. Não havia reconhecimento de sua posição em relação àquele a quem estava se dirigindo. Não havia petição. A única coisa que é ressaltada é sua postura convencida, orgulhosa de suas virtudes em relação aos outros.
Nesta parábola narrada pelo Divino Mestre, o fariseu, com sua petulância e arrogância, parece não precisar de Deus, pois confia em si mesmo e ainda despreza as pessoas. Era um homem cheio de justiça própria e usa o pronome «eu», pelo menos, quatro vezes em sua oração na qual está ausente a confissão de seus pecados, pois confiava em suas obras e afirmava que jejuava duas vezes por semana; a Lei prescrevia um dia de jejum por ano, mas «ele se julgava tão bom» que jejuava duas vezes por semana, isto é, 48 vezes por ano. «O publicano, ao contrário, mantendo-se distante, não ousava sequer erguer os olhos ao céu; mas batia no peito dizendo: Meu Deus, tende piedade de mim que sou um pecador.» (Lc 18, 13)
O publicano foi ao templo para orar, mas não se atrevia a levantar os olhos para os céus, apenas ergueu as mãos em oração. Quando nossos olhos se constrangem de olhar a para o Senhor face-a-face por causa de nossos pecados, resta-nos elevarmos os braços e pedir ajuda para o Deus-Amor.
A humildade não impediu que o publicano reconhecesse seus erros. A ausência do orgulho naquele coração cedeu lugar à Graça. Proferiu uma oração curta, simples, precisa, esmerada na verdade e honestidade e que continha todos os ingredientes necessários para que Deus a ouvisse. Nestes versículos estão presentes o reconhecimento do pecado, a consciência de que se necessita do perdão de Deus e a ação da Graça Divina. Eram estas as considerações que o levaram a baixar sua cabeça, bater em seu peito e humilhar-se sob a poderosa mão de Deus.
No final da parábola, Jesus disse que o publicano desceu justificado para sua casa, mas o fariseu não. Deus ouviu e respondeu ao grito angustiado do pecador em agonia espiritual. «Eu vos declaro que este retornou, entre os seus, justificado, e não o outro; porque todo aquele que se eleva será humilhado, e todo aquele que se humilha, será exaltado.» (Lc 18,14)
O fariseu saiu sentindo-se justificado. Ele tinha acabado de falar com Deus. Ele tinha cumprido sua responsabilidade e, em sua mente, tinha-a cumprido muito bem. O coletor de impostos, por outro lado, saiu justificado por Deus, porque se humilhou. Há uma diferença essencial em se sentir santo e ser santo. Ele saiu justificado porque possuía a chave do oferecimento de uma oração que é aceitável a Deus. Ele demonstrava as qualidades da verdadeira grandeza no Reino do Céu como é descrita em Mateus 20:26-28. «Quem quiser ser o primeiro entre vos será vosso servo.» Este homem foi para sua casa justificado porque percebia que, quem quer que se humilhe será exaltado (Mt 23:12).
Encontramos publicanos e fariseus em nós mesmos e entre nós. Vez por outra a hipocrisia se instala em nossas vidas, e a humildade também. Que possamos agir como o publicano desta parábola, reconhecendo nossos pecados, buscando a misericórdia de Deus e deixando de lado a pseudo-santidade. Não basta que nos abstenhamos do mal e nos mostremos rigorosos no cumprimento de determinadas regras de bom comportamento social; mais que isso, é necessário reconhecer que somos todos irmãos, não nos julgarmos superiores aos nossos semelhantes, por mais culpados e miseráveis que pareçam ser, nem tampouco desprezá-los, porque isso constitui, sempre, falta de caridade. A humildade sincera é o melhor agente de uma autêntica conversão.

FONTES DE CONSULTA:
GOMES, C. Folch, Antologia dos Santos Padres. São Paulo: Ed. Paulinas. (3a. Ed.)
STORNIOLO, Ivo, Como Ler o Evangelho de Lucas. São Paulo: Ed. Paulus (4a. Ed)



São Tryfon de Nicéia, mártir (†251)


São Tryfon era natural de Lampsako, na Frígia (antiga região da Ásia Menor) e viveu na época em que reinava Giordiano (238-244), Philippos e Décio. São Tryfon era muito pobre e, desde pequeno se dedicava ao cuidado de animais do campo para poder viver. Enquanto realizava seu humilde trabalho, refletia sobre as Sagradas Escrituras e com muito zelo cumpria com seus deveres religiosos. Entre os versículos que sempre repetia, este se destacava: «A bênção do Senhor repousa sobre a habitação do justo. Se ele escarnece dos zombadores, concede a graça aos humildes» (Prov. 3, 33b.-34). Realmente, o humilde e piedoso Tryfon, com perseverança, não só conheceu as Sagradas Escrituras em profundidade como a ensinou. Estava tão pleno da graça divina que operava milagrosas curas. A notoriedade de Tryfon chegou aos ouvidos do rei Gordianos que mandou chamá-lo porque sua filha estava muito doente. De fato, Tryfon a curou; e o pai, agradecido, quis pagá-lo, porém Tryfon se negou aceitar qualquer valor e se retirou com a gratidão do rei. Contudo, na época de Decio (249-251), Tryfon foi preso por admitir sua fé em Jesus Cristo e fervorosamente expressar sua oposição à idolatria. Por causa disso, o prefeito oriental Aquilino, em Nikia, ordenou que o torturassem violentamente. Foi amarrado a um cavalo e arrastado pelas ruas. Em seguida, completamente nu, em pleno inverno, foi amarrado sobre pregos e queimado com tochas acesas. Finalmente, foi decapitado, mas antes disso, já havia entregue seu espírito nas mãos de Deus.

Tradução e publicação neste site com permissão de Ortodoxia.org
Trad.: Pe. Pavlos



Folheto Dominical da Igreja Anunciação da Mãe de Deus


Responsável

Reverendo Ecônomo Padre Emanuel Sofoulis


Editoração e Diagramação

Antonio José


Atualização da Página na internet

Jean Stylianoudakis

Solicite o envio do Boletim Mensagens Cristão-Ortodoxas por email.


Apoio

 - Rodrigo Marques – Membro do Coro da nossa Igreja

 - Folheto da Comunidade Ortodoxa de São Pedro e São Paulo
 Pavuna – Rio de Janeiro – RJ – Brasil
http://comunidadeortodoxa.simplesite.com.br/