19 setembro 2015

Domingo depois da Festa da Exaltação da Santa, Venerável e Vivificante Cruz


PATRIARCADO ECUMÊNICO DE CONSTANTINOPLA
Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul
Igreja Anunciação da Mãe de Deus
SGAN - Quadra 910 - Módulo ‘’B’’ - CEP: 70.790-100 - Brasília-DF
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Brasília, 20 de setembro de 2015.
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Domingo depois da Festa da Exaltação da Santa, Venerável e Vivificante Cruz

(16º depois de Pentecostes - Modo Grave)

Memória dos Santos Eustácio, sua mulher Teopista, os dois filhos Agapito e Teopisto, mártires († C. 110)


Matinas

Evangelho                                                                              Lc 24, 12-35
Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Lucas.
Naquele tempo, Pedro, levantando-se, correu ao sepulcro e, abaixando-se, viu só os lençóis ali postos; e retirou-se, admirando consigo aquele caso. E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles. Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes? E, respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; E como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; e, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram. E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe. E eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalém, e acharam congregados os onze, e os que estavam com eles, Os quais diziam: Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão. E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles fora conhecido no partir do pão.


Divina Liturgia

Epístola                                                                                              Gl 2,16-20
Epístola do Apóstolo São Paulo aos Gálatas.
Irmãos, sabemos que ninguém se justifica pela prática da lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. Também nós cremos em Jesus Cristo, e tiramos assim a nossa justificação da fé em Cristo, e não pela prática da lei. Pois, pela prática da lei, nenhum homem será justificado. Pois, se nós, que aspiramos à justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não! Se torno a edificar o que destruí, confesso-me transgressor. Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.

Evangelho                                                                              Mc 8, 34-9, 1
Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.
Naquele tempo, convocando Jesus, a multidão, juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida? Porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os seus santos anjos. E dizia-lhes: Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não experimentarão a morte, enquanto não virem chegar o Reino de Deus com poder.




SINAXE


A crucifixão era uma forma de pena oriental que foi introduzida no Ocidente pelos persas. Foi pouco usada pelos gregos, mas muito utilizada pelos cartagineses e romanos.

Na literatura romana, a crucifixão é descrita como punição cruel e temida, não sendo aplicada aos cidadãos romanos, mas apenas aos escravos e aos não-romanos que houvessem cometido crimes atrozes, como assassinato, furto grave, traição e rebelião. Seguindo a forma romana de crucifixão Jesus provavelmente carregou somente a parte transversal da cruz, pois a parte vertical era deixada no local da execução à espera do condenado. Os braços eram inicialmente amarrados e somente ao chegar no local eram pregados ao madeiro. Acontecia o mesmo procedimento com as pernas e pés.

A vítima era suspensa pouco mais de um metro do chão para que as pessoas pudessem dar de beber uma mistura de água e fel ou vinagre para ser mantida o tempo inteiro consciente, sem haver possibilidade de desmaios (Mt 27,48). Os romanos crucificavam os criminosos inteiramente nus e não há motivo para se pensar que tenha sido feita alguma exceção para Jesus. As vestes do crucificado eram entregues aos soldados para serem divididas. As vestes de Jesus não foram divididas mas sorteadas pois era de tecido fino e sem costuras. Tal indumentária e feitio não poderiam ser destruídas, por isso preferiu-se lançar sorte. (Mt 27,35ss).

Uma inscrição com o nome do criminoso e a natureza do seu crime era feita sobre uma tabuinha, que o condenado levava pendurado no pescoço até o local da execução; essa tabuinha foi afixada acima da cabeça de Jesus na cruz. Por ironia de Pilatos, a inscrição de Jesus não indicava um crime, mas registrava simplesmente a expressão "rei dos judeus" (Mt 27,37). A inscrição era feita em três línguas: aramaico, o dialeto local; o grego, a língua do mundo romano e o latim, a língua oficial da administração romana.

A morte de Jesus foi muito rápida. Ele ficou suspenso à cruz algumas horas. Geralmente a morte dos condenados à cruz se dava depois de alguns dias após pregado. Este foi o caso dos dois ladrões que ladeavam Jesus: foram- lhe quebradas as pernas para que o fim fosse apressado pois a Páscoa judaica se aproximava (Jo 19,32ss).


No Novo Testamento, o simbolismo teológico da Cruz só aparece em uma afirmação do próprio Senhor e nos escritos de São Paulo. Jesus disse que aqueles que o seguem devem tomar a sua própria Cruz, perdendo assim a vida, para depois conquistá-la (Mt 10,38). Não se trata apenas de alusão à sua própria morte, mas também da afirmação de que seu seguimento exige a negação de si mesmo ( Mc 8,34), o total desprezo pela própria vida, pelo bem-estar, pelas posses pessoais, a tudo aquilo a que se deve renunciar para seguir Jesus.

Paulo pregava o Cristo crucificado, embora isto fosse escândalo para os hebreus e loucura para os gentios (1Cor 1,23). A linguagem da Cruz é absurda para aqueles que, sem ela, se perdem; entretanto é poder de Deus para aqueles que se salvam (1Cor 1, 18).

Ao encerrarmos a Festa da Exaltação da Santa Cruz, cabe-nos dar à Cruz seu devido valor. O sofrimento nos dá a possibilidade da redenção. Reclamar dele nos atesta que ainda precisamos crescer espiritualmente.

Bibliografia
MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Ed Paulinas, 1983.

20 de Setembro: Santo Eustáquio, sua esposa Teopista, e seus dois filhos, Agapito e Teopisto, mártires († C. 110)

A Igreja Ortodoxa comemora hoje, o grande Santo Mártir Eustáquio, sua esposa sua esposa, Teopista, e seus dois filhos, Agapito e Teopisto. Santo Eustáquio chamava-se Plácido e sua esposa Tatiana, antes de se converterem ao Cristianismo. Plácido foi um general que viveu em Roma na época do imperador Trajano (98-117). Ainda pagão, Plácido era notavelmente virtuoso e tinha um amor especial para com os pobres. Vendo sua natureza bem intencionada, Deus é revelou a ele como havia feito com São Paulo. Certo dia, caçando na floresta, Plácido apanhou um grande cervo e, entre seus chifres viu uma cruz mais brilhante que o sol na qual se lhe revelou a face de Cristo. Ouviu ainda uma voz que lhe disse: «Plácido, por que me persegues? Eu sou o Cristo, a quem, inconscientemente, tens honrado com tuas boas obras. Eu vim ao mundo como homem para salvar a humanidade, e como tal, mostro-me hoje a ti para acolher-te na rede do meu amor pela humanidade». Assombrado e aterrorizado, Plácido caiu de seu cavalo e permaneceu inconsciente por várias horas. A veracidade de sua visão foi indubitável quando Cristo lhe apareceu uma segunda vez e lhe deu a conhecer que é Deus por natureza, que fez o céu e a terra, e que por seu amor à humanidade, assumiu como própria a nossa natureza humana. Plácido então acreditou do fundo de seu coração, e se fez batizar juntamente com sua esposa e filhos, recebendo todos eles novos nomes cristãos. Os pais passaram a se chamar Eustáquio e Teopista, e seus dois filhos, Agapito e Teopisto.


Encontrando em Eustáquio a virtude que provém da fé, o Senhor novamente se mostrou a ele dizendo-lhe das tribulações que o diabo usou para com Jó, e que também a ele estas coisas poderiam acontecer, mas, que a divina graça estaria com ele. E, um pouco adiante Eustáquio perdeu todos os seus bens e decidiu então embarcar para o Egito com sua esposa e filhos. O capitão do barco, desavergonhado e licencioso, capturou sua esposa no momento em que ele desembarcava seus filhos. Com lágrimas nos olhos Eustáquio prosseguiu seu caminho e, enquanto atravessava um rio, um lobo e um leão afugentaram seus filhos, ficando Eustáquio solitário e arruinado, mas firme em sua fé e com sua esperança voltada no Senhor. Ele, que já havia sido um notável membro da nobreza romana, agora perambulava de um lugar a outro, tendo a mesma paciência de Jó e vivendo de trabalhos eventuais. Finalmente estabeleceu-se num lugar chamado Badissos cuidando de um jardim, não muito longe de onde seus dois filhos, que haviam sido resgatados por alguns pastores, cresciam sem saber do pai.

Quinze anos mais tarde, os bárbaros tinham feito cativa sua esposa Teopista, preparavam-se para invadir em massa o império; os romanos não encontraram um general suficientemente hábil que pudesse enfrentar ao ataque. O Imperador lembrou-se então das muitas vitórias e do grande valor de Eustáquio, e mandou que o buscassem. Quando se apresentou na corte, mal era possível reconhecê-lo, pois a pobreza e a miséria haviam deixado suas marcas em seu semblante. O imperador lhe restituiu a sua posição e posses, dando-lhe também o comando da Legião. E, com a ajuda de Deus, afastaram para longe os bárbaros. Durante a campanha Eustáquio reencontrou a sua esposa e filhos e pode provar que sua paciência não ficou sem recompensa nesta vida.

Em seu retorno triunfal a Roma, Adriano, o novo imperador, o encheu de presentes e perguntou-lhe se, em agradecimento por sua vitória, iria oferecer um sacrifício aos ídolos. Eustáquio respondeu que sua vitória pertencia somente a Cristo e não a poderes imaginários de falsos deuses. Esta resposta enfureceu o tirano e, novamente, todos os seus bens foram confiscados e sua esposa e filhos foram levados como comida aos leões famintos, mas os animais não se atreveram a tocá-los, sentando-se, com reverência, diante deles. Os santos foram então jogados num caldeirão cheio de bronze fervente onde entregaram suas almas a Deus sem que seus corpos sofressem qualquer alteração. Isto produziu grande assombro aos pagãos, e grande alegria aos fiéis que, por estes sinais reconheceram que a graça de Deus habitava aqueles corpos dos santos mártires, e neles permaneceu como conforto no sofrimento. Que suas intercessões sejam também com todos nós!
Tradução e publicação neste site
com permissão de: ortodoxia.org
Trad.: Pe. André

14 de Setembro: «Festa da Exaltação da Santa, Venerável e Vivificante Cruz»

A Igreja celebra hoje a festa da Exaltação da Santa Cruz. É uma festa que se liga à dedicação de duas importantes basílicas construídas em Jerusalém por ordem de Constantino, filho de Santa Helena. Uma foi construída sobre o Monte do Gólgota; por isso, se chama Basílica do Martyrium ou Ad Crucem. A outra foi construída no lugar em que Cristo Jesus foi sepultado pelos discípulos e foi ressuscitado pelo poder de Deus; por isto é chamada Basílica Anástasis, ou seja, Basílica da Ressurreição.

A dedicação destas duas basílicas remonta ao ano 335, quando a Santa Cruz foi exaltada ou apresentada aos fiéis. Encontrada por Santa Helena, foi roubada pelos persas e resgatada pelo imperador Heráclio. Segundo contam, o imperador levou a Santa Cruz às costas desde Tiberíades até Jerusalém, onde a entregou ao Patriarca Zacarias, no dia 3 de Maio de 630. Tal festividade lembra aos cristãos o triunfo de Jesus, vencedor da morte e ressuscitado pelo poder de Deus.



A pregação da Cruz é uma necessidade para os que se perdem; mas para os que se salvam – para nós – é força de Deus. Por que diz a Escritura: «Destruirei a sabedoria dos sábios, e inutilizarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde o douto? Onde o sofista deste mundo? De fato, como o mundo através de sua própria sabedoria não conheceu Deus na divina sabedoria, quis Deus salvar os crentes através da necessidade da pregação». Assim, enquanto os judeus pedem sinais e os gregos buscam sabedoria, nós pregamos a Cristo crucificado: escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, mas para os chamados, tanto judeus quanto gregos, um Cristo, força de Deus e sabedoria de Deus. As palavras do apóstolo Paulo, lidas na solenidade da Exaltação da veneranda e santificadora Cruz, marcam o sentido inequívoco que, desde o princípio, tivera para os cristãos o patíbulo dos malfeitores, que era a cruz. Por que, pois, estranhar-se que a Igreja a tenha considerado objeto de culto particular?

Romano o Melode, imaginando um diálogo entre o diabo e o inferno, põe na boca do primeiro as palavras: «Belial, é tempo de abrires o ouvido. A hora presente far-te-á ver o império da Cruz, e o grande poder do Crucificado. Para ti, a Cruz não é senão loucura; porém toda a Criação a considera como um trono desde que, nela cravado, escuta Cristo como juiz em atividade».

A forma de cruz das igrejas antigas, inclusive hoje nas de tradição bizantina, evoca a virtude ou força da ação redentora desse sinal. A Cruz defende a todos do maligno e de seus ataques. Os marcados com o sinal de Cristo têm a esperança confiante de entrar no paraíso. Nas igrejas bizantinas, atrás do altar e no ponto mais alto do Iconostase, destaca-se a Crucifixão, 4 com o objetivo de que, de qualquer ponto do templo e a todo momento, possa atrair o olhar dos fiéis para a Árvore da Vida, plantada no novo paraíso universal, frondosa e muito mais honorável que a do Éden […]


Folheto Dominical da Igreja Anunciação da Mãe de Deus



Responsável

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Matinas Dominical das 10h às 10h30
Liturgia Dominical das 10h30 às 12h

05 setembro 2015

14º Domingo de Mateus


PATRIARCADO ECUMÊNICO DE CONSTANTINOPLA
Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul
Igreja Anunciação da Mãe de Deus
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Brasília, 06 de setembro de 2015.
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14º Domingo de Mateus

(14º depois de Pentecostes - Modo Plagal 1)

Memória do Milagre do Arcanjo Miguel em Colossos (séc. IV).



Matinas


Evangelho                                                                                          Mc 16, 9-20
Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.

Naquele tempo, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, Jesus apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando. E, ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, não o creram. E depois manifestou-se de outra forma a dois deles, que iam de caminho para o campo. E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram. Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo omundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porãoas mãos sobre os enfermos, e os curarão. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém.


Divina Liturgia

Epístola                                                                                  2Cor 1,21-2,4
Segunda Epístola do Apóstolo São Paulo aos Coríntios.

Irmãos, o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus, O qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações. Invoco, porém, a Deus por testemunha sobre a minha alma, que para vos poupar não tenho até agora ido a Corinto. Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vosso gozo; porque pela fé estais em pé. Mas deliberei isto comigo mesmo: não ir mais ter convosco em tristeza. Porque, se eu vos entristeço, quem é que me alegrará, senão aquele que por mim foi contristado? E escrevi-vos isto mesmo, para que, quando lá for, não tenha tristeza da parte dos que deveriam alegrar-me; confiando em vós todos, que a minha alegria é a de todos vós. Porque em muita tribulação e angústia do coração vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho.


Evangelho                                                                                          Mt 22, 1-14
Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Mateus.

Naquele tempo, Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho; eE enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir. Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu tráfico; e os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram. E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados. E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.



Sinaxe

De maneira sutil, mas taxativa, o Senhor deixa transparecer na Parábola sua predileção pelos pobres e marginalizados. O Reino de Deus é comparado ao banquete que um rei celebrava por ocasião das bodas de seu filho. Para esta festa foram convidadas pessoas importantes que faziam parte do primeiro escalão da sociedade. Por razões diversas se escusaram de comparecer e tomar parte na festa, menosprezando um convite tão seletivo. O rei então, estendeu o convite a todos que por ali passavam ocasionalmente. Assim, a sala onde se realizava a festa, em pouco tempo, ficou ocupada pelos que pertenciam à classe menos favorecida da sociedade: pobres, aleijados, coxos, viúvas, desempregados, entre outros.
Quem é digno Senhor de entrar em teu banquete celestial? Mesmo que meu corpo porte as vestes dignas dos convivas, mas se minha alma não for digna de vesti-la, como Senhor poderei permanecer no salão onde é esperado o Rei da Glória? Dá-me, ó Misericordioso, o desprendimento dos pobres, a paciência dos coxos, a confiança das viúvas, a esperança dos sofredores e a fé inabalável dos crentes. Que minha alma seja recebida por ser digna de portar a veste das núpcias”.
São João Crisóstomo.

O anfitrião entrou na sala e apresentou seu Filho aos presentes. Deus é este Anfitrião que chama todos à participar das bodas de seu Filho com a natureza humana, iniciada e consumada na encarnação do Verbo e, dando dignidade à carne humana, na Ascensão . É Ele o Rei que apresenta ao mundo o seu Filho Unigênito, o Esposo da nova Aliança, o Esposo da Igreja anunciado pelos profetas, mas rejeitado pelos "primeiros convidados".
“A razão que tudo desvenda faz-se cega ante o mistério da extrema humildade de um Deus que se faz carne para salvar os que estavam perdidos. As núpcias da divindade com a humanidade não é um mistério para ser desvendado, é uma realidade para ser admirada com o estupor da contemplação”
Santo Irineu.

O Reino de Deus se abre a todos, bons e maus, pecadores e santos, gentios e pagãos, puros e impuros. O banquete é, portanto, o sinal do amor gratuito de Deus, extensivo a todos os homens. Os que rejeitam este convite fecham-se ao Amor. Por isso não recebem os frutos do amor e consequentemente, não conhecem a Deus, pois só quem ama O conhece verdadeiramente.
“O banquete está pronto”. A encarnação do Verbo e o seu oferecimento em sacrifício de maneira perpétua, dá-se em cada celebração litúrgica. Eis porque Deus continua renovando o seu convite: “Ide pelas encruzilhadas dos caminhos e a todos que encontrardes, convidai-os para as bodas”. A sala da festa está cheia: bons e maus ali se encontram. É a imagem da Igreja aberta a todos. Podemos aqui descortinar um dos aspectos apostólicos da Igreja, ou seja, sua realidade missionária. A Igreja deve levar a todos a Boa Nova. A Igreja convida a todos a participar do banquete celestial. A Igreja vai ao encontro do homem e lhe oferece aquilo que o mundo não pode oferecer: a Salvação. Quando não mais ofertar a Salvação, mas outra realidade temporal, o objeto de seu caráter missionário confundir-se-á com o que o mundo já oferece e deixará de fazer sentido sua existência. A Igreja porta um grande tesouro que deve ser revelado e distribuído dignamente a todos.
A Eucaristia é o grande sinal do Banquete do Reino que antecipa o Eterno Festim messiânico. Somos felizes, pois somos convidados para as Bodas do Cordeiro (cf Ap.19,9). Agora, pertencemos à Nova Jerusalém, a Jerusalém Celeste.
Lamentavelmente, muitos são os que ainda continuam a recusar tal convite, com as justificativas mais diversas. E, recusar ao convite divino é fechar-se à Graça, é escusar-se de participar do Banquete do amor e da fraternidade. O banquete não é exclusivo, mas é para todos os irmãos e, por isso, é festa.
São João Crisóstomo, na sua Homilia da Noite da Santa Ressurreição, presenteia-nos com uma das mais belas formulações do Convite para o Banquete Celestial:
“Entrai, pois, todos no gozo de nosso Senhor; primeiros e últimos recebei a recompensa; ricos e pobres, alegrai-vos juntos; justos e pecadores, honrai este dia; vós que jejuastes e vós que não jejuastes, regozijai-vos uns com os outros; a mesa é farta, saciai-vos à vontade; o vitelo é gordo, que ninguém se retire com fome; tomai todos parte no banquete da fé; participai todos da abundância da graça; que ninguém se queixe de fome, porque o reino universal foi proclamado; que ninguém chore por causa de seus pecados, porque o perdão jorrou do túmulo; que ninguém tema a morte, porque a morte do Salvador nos libertou a todos.”
Hoje é um dia feliz para nós que escutamos o convite que brota deste Evangelho. Deus nos chama a todos para a festa de seu Reino. Vamos à Igreja com os irmãos celebrar a vitória da Cruz sobre a morte. Acolhamos ao convite do Rei que nos chama a tomar lugar no Banquete de seu Filho. Vinde, exultemos de alegria no Senhor!

Bibliografia:
HAMMANN, A. Os Padres da Igreja, São Paulo: Ed. Paulinas , 1985.
KONINGS, Johanan. Espírito e Mensagem da Liturgia. Petropolis: Ed. Vozes.
CARVAJAL, Francisco. F. Falar com Deus. São Paulo: Ed. Quadrante.

06 de Setembro: Prodígio de São Miguel Arcanjo em Khonas (séc. IV)



Numa determinada região da Frígia, brotava uma água abençoada com a força e a intercessão de São Miguel Arcanjo que curava milagrosamente todo o tipo de doença. Um cristão, tendo sua filha curada, providenciou que fosse construída uma linda igreja sobre esta fonte dedicada ao Arcanjo São Miguel. Noventa anos mais tarde, chegou a esta igreja um jovem de nome Archipos, que ali permeneceu vivendo uma uma vida monástica. Os idólatras, ao saber de sua presença naquele lugar e de sua vida cristã exemplar, ficaram tomado de muito ódio e, indo ao seu encontro, espancaram-no com furor, avançando em seguida contra a igreja determinados a destruí-la, bem como aquela abençoada fonte de água. Foi quando interveio a força do Arcanjo que, milagrosamente, imobilizou as mãos de alguns dos agressores, enquanto outros eram barrados pelas chamas do fogo. Entretanto, a teimosia e ódio dos agressores fez com que provocassem o desvio de um pequeno rio situado nas imediações para que inundasse com suas águas a igreja e afogasse o jovem Archipos. Mais uma vez, porém, o poder e a força do arcanjo se manifestou, desviando a direção das águas e livrando de qualquer dano o jovem monge e a igreja. Planejaram então os perseguidores juntar as águas de dois outros pequenos rios, mas o Arcanjo apareceu antes a Archipos e o tirou da igreja e, com um sinal da cruz, as águas foram detidas.
Tradução e publicação neste site
com permissão de Ortodoxia.org
Trad.: Pe. André

01 de Setembro: Indicção do Novo Ano Eclesiástico



A Igreja de Cristo celebra neste dia a Indicção, cuja terminologia romana significa limite, o que quer dizer o inicio do ano eclesiástico. Este termo vem da prática de que os imperadores romanos faziam cobrar, a cada ano, nesta época, um imposto sobre os seus súditos para a manutenção da armada. A taxa deste imposto anual era fixada a cada (todos os) 15 anos. E por isso que, igualmente, chamamos indiccão os ciclos de 15 anos que começam sob César Augusto, 3 anos antes do nascimento de Cristo segundo a carne.

De outra parte, o mês de setembro é a época onde regressam os frutos das colheitas nos celeiros, preparando-se ao novo ciclo agrícola e dando graças a Deus pela sua benignidade para com a Criação. Faziam já assim os judeus sob o regime da antiga Lei. O primeiro dia de seu sétimo mês (inicio de Setembro), eles celebravam a Festa das Trombetas, cessando todo trabalho a fim de se consagrarem somente a oferenda de sacrifícios de agradável aroma e em louvor a Deus (Lv. 23, 24-25).

O Cristo, Filho e Verbo de Deus, Criador do tempo e do espaço, Rei pré-eterno de todos os séculos – que encarnou a fim de conduzir todas as coisas à unidade e reconciliar todos os homens, tanto judeus como pagãos em uma única Igreja – quis também unir nele mesmo as coisas submissas às leis naturais e aquilo que ele havia promulgado pela Lei escrita. E por isso, que neste dia, onde a natureza se prepara a desenrolar um novo ciclo de suas estações, nós comemoramos o episodio onde o Senhor Jesus Cristo dirige-se à Sinagoga e, abrindo o livro de Isaias, lê a passagem onde o Profeta diz em seu Nome: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor.» (Lc. 4,18-19).

Tradução: Igúmeno Lucas

Pequena pesquisa baseada em textos de «Synaxaire Orthodoxe e Calendrier des Scooters Orthodoxes en France» - Tradução do Monastério dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (Herzegovina).



A Igreja de Cristo celebra neste dia a Indicção que, cuja terminologia romana significa limite, o que quer dizer o inicio do ano eclesiástico. Este termo vem da prática de que os imperadores romanos faziam cobrar, a cada ano, nesta época, um imposto sobre os seus súditos para a manutenção da armada. A taxa deste imposto anual era fixada a cada (todos os) 15 anos. E por isso que, igualmente, chamamos indiccão os ciclos de 15 anos que começam sob César Augusto, 3 anos antes do nascimento de Cristo segundo a carne.

De outra parte, o mês de setembro é a época onde regressam os frutos das colheitas nos celeiros, preparando-se ao novo ciclo agrícola e dando graças a Deus pela sua benignidade para com a Criação. Faziam já assim os judeus sob o regime da antiga Lei. O primeiro dia de seu sétimo mês (inicio de Setembro), eles celebravam a Festa das Trombetas, cessando todo trabalho a fim de se consagrarem somente a oferenda de sacrifícios de agradável aroma e em louvor a Deus (Lv. 23, 24-25).

O Cristo, Filho e Verbo de Deus, Criador do tempo e do espaço, Rei pré-eterno de todos os séculos - que encarnou a fim de conduzir todas as coisas à unidade e reconciliar todos os homens, tanto judeus como pagãos em uma única Igreja - quis também unir nele mesmo as coisas submissas às leis naturais e aquilo que ele havia promulgado pela Lei escrita. E por isso, que neste dia, onde a natureza se prepara a desenrolar um novo ciclo de suas estações, nós comemoramos o episodio onde o Senhor Jesus Cristo dirige-se à Sinagoga e, abrindo o livro de Isaias, lê a passagem onde o Profeta diz em seu Nome: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor.» (Lc. 4,18-19).

Em primeiro de setembro de 312, Constantino I, o Grande, pôs fim as perseguições aos cristãos aos quais ele concede o direito de praticar livremente sua fé. Em comemoração deste acontecimento, o Primeiro Concílio dos Padres da Igreja, reunido em Nicéia em 325, decide tomar esta data como inicio do ano eclesiástico. Esta data foi assim adotada como marco do inicio do ano civil em todo o Império Romano. Quaisquer que tenham sido as modificações, desde então, a Igreja manteve sempre o Primeiro de Setembro como início do Ano Eclesiástico. O ano eclesiástico começa e termina com uma grande festa litúrgica dedicada a Virgem: sua Natividade, em 08 [21] de Setembro,e sua Dormição dia 15 [28] de Agosto, enquanto que as grandes festas do Senhor, que comemoram os grandes eventos de Sua vida terrena, compreendendo o Pentecostes, se inserem naturalmente entre os limites da existência terrestre de sua Mãe, testemunha de todos estes acontecimentos.

O dia do ano eclesiástico não interfere no curso do ciclo litúrgico anual, que tem início após Pentecostes, a partir do qual a alternação dos 8 tons - Oktoikos - (livro dos 8 tons) se sucedem até ate a Grande Quaresma seguinte, período no qual utilizamos o Triódion da Quaresma.

FONTE:
Boletim Interparoquial - Órgão Informativo da Diocese Ortodoxa do Rio de janeiro e Olinda-Recife, sob a Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia.

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