03 agosto 2013

6º Domingo após Pentecostes | Transfiguração de Cristo (04/08/20130

6º DOMINGO DE MATEUS
6º Domingo após Pentecostes.
(Epístola: Rm. 12, 6-14; Evangelho: Mt. 9, 1-8)*
A leitura do Evangelho do domingo passado nos contou como os Gadarenos saíram ao encontro de Jesus e como lhe suplicaram que “deixasse aquela região” E isso aconteceu porque todos eles foram contagiados com um pecado: a paixão pelo lucro, o amor pelo dinheiro: havia entre eles uma sede insaciável por mais e mais riquezas. E a riqueza veio a eles através de manadas de porcos que pastavam em seus pastos.
Mas, de acordo com a lei judaica, eles não tinham o direito de mantê-los, e este era o pecado deles. Mas eles viviam no pecado para satisfazer a paixão pelo enriquecimento  paixão esta pela qual todos dali se deixaram levar, tanto que, tendo Jesus expulsado os demônios para os porcos  que em seguida se afogaram nas águas do lago, “a população saiu ao encontro de Jesus. Quando o viu, suplicou-lhe que deixasse aquela região” (Mt. 8:34).
No entanto, nem todos daquela cidade eram pessoas más. Sem dúvida alguma, dentre eles estavam aqueles que queriam ver Jesus, que queriam ouvir seus ensinamentos e, talvez, estivessem até prontos para crer Nele. A salvação estava tão próxima... Mas a paixão, a idolatria pelo lucro os escravizou. Assim, ao invés de pedir ao Senhor que permanecesse na cidade, eles Lhe pediram que partisse. O pecado os escravizou, uma paralisia espiritual tomou conta deles. E o Evangelho continua: “Entrando no barco, Jesus passou para o outro lado, e chegou à sua cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico, deitado numa cama. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, tem bom ânimo, perdoados te são os teus pecados” (Mt. 9, 1-2).
Há dois tipos de paralisia: a física e a espiritual. A paralisia física acontece quando nós queremos fazer alguma coisa, mas nosso corpo não se move. Já a espiritual é aquela que torna difícil o próprio “pensar”, deixa-nos sem querer fazer nada, traz-nos o desânimo. Quando estamos paralisados espiritualmente, apesar de um íntimo desejo de cumprir os mandamentos de Cristo, não conseguimos pôr nada em prática, pois algo nos segura, algo interfere em nossas vidas... E assim, ao invés de Cristo habitar em nossos corações, surge uma tempestade, e Cristo vai embora.
O que motivou os gadarenos a pedir que Cristo deixasse suas terras? O pecado: a paixão pelo enriquecimento. E por meio desse pecado, eles foram acometidos pela paralisia espiritual, que esmaeceu toda força espiritual que pudesse manter Cristo junto deles.
Assim acontece conosco. E a única razão disso é pecado, que não é apenas a paixão pelas riquezas. Há toda uma sorte de feixes nebulosos a partir deste “diamante negro”: há a preguiça, o orgulho, a fala vã, a mentira, a condenação, a gula, a raiva, a ira, a crueldade e quaisquer outros tipos de impurezas. E todos nós padecemos desses pecados, que acabam por nos levar a fraqueza espiritual, à paralisia espiritual. Olhemos para dentro de nós e reconheçamos com honestidade que todos nós, como os gadarenos, vivemos em fraqueza espiritual.
Mas não percamos a esperança! Com que palavras Cristo curou o paralítico? “Perdoados te são os teus pecados.” Ora, significa isso que às vezes a origem de uma paralisia corporal pode ser um pecado; já a razão da paralisia espiritual sempre será um pecado. Tudo que temos que fazer é encontrar esse pecado, essa paixão que está entre nós e Cristo, levá-lo ao Senhor e dizer: “Senhor, cura-me!” Então, o Senhor nos dirá, assim como fez com o paralítico: “Perdoados te são os teus pecados... Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” (Mt 9:5-6).
E assim a tempestade se abrandará, deixará nossos corações, e Cristo nos preencherá com sua alegria e ternura. A fraqueza dará lugar a uma nova energia em nós, e, assim, seremos agraciados com uma nova vida em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Amém. 

Boletim n. 28, 04.08.2013: 
6º Domingo após Pentecostes (Download)
Russo: (Download)


PARA REFLETIR
v  O perdão dos pecados.
v O arrependimento.
v O poder de Deus.

PENSAMENTO
† Máximo, o Confessor | Ο ὅσιος Μάξιμος ο Ομολογητής (580 – 662).


21. Aquele que tem em mente o caminho dos santos, imitando-os, não apenas faz sacodir a paralisia mortal das paixões, mas também retoma a vida das virtudes.


Philokalia, V2, p. 192.




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* Leituras conforme o Typikon do Patriarcado Ecumênico (Τυπικν τς Μεγάλης το Χριστο Εκκλησίας): Typikon 04-ago-2013.


TRANSFIGURAÇÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
Ἡ Μεταμόρφωσις τοῦ Κυρίου Ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ
06 de agosto de 2013 (terça-feira)
(Epístola: 2Pd. 1, 10-19; Evangelho: Mt. 17, 1-9)

SEGUNDA EPÍSTOLA DE SÃO PEDRO
(2Pd. 1, 10-19)
Irmãos, cuidai cada vez mais de assegurar vossa vocação e eleição. Assim fazendo, jamais tropeçareis, e vos será amplamente aberta a entrada para o reino eterno de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Por isso não cessarei de vos trazer à memória estas coisas, embora estejais cientes e convencidos da presente verdade. Pois tenho por dever, enquanto habitar nesta tenda, estimular-vos ao máximo pela admoestação, considerando que breve verei desarmada minha tenda, segundo me manifestou Nosso Senhor Jesus Cristo. Quero, pois, empenhar-me para que, depois de minha partida, possais guardar lembrança disto. Na verdade, não é baseando-nos em mitos artificiosos que vos demos a conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas como quem foi testemunha ocular de sua majestade. Recebeu de Deus Pai a honra e a glória, quando da glória magnífica se fez ouvir a voz que dizia: "Este é o meu Filho muito amado em quem pus minha afeição". E esta voz descida do céu, nós a ouvimos, nós que com ele estávamos no monte santo. Assim demos maior crédito ainda à palavra dos profetas, a quem fazeis muito bem em atender, como a uma lâmpada que resplandece nas trevas até despontar o dia e surgir a estrela d'alva em vossos corações.
EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS
(Mt. 17, 1-9)
Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os fez subir a um lugar retirado, numa alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. Pedro, então, tomou a palavra e lhe disse: Senhor, é bom ficarmos aqui. Se quiseres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. Ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E, da nuvem, uma voz dizia: Este é o meu filho amado, nele está meu pleno agrado: escutai-o! Ouvindo isto, os discípulos caíram com o rosto em terra e ficaram muito assustados. Jesus se aproximou, tocou neles e disse: Levantai-vos, não tenhais medo. Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser Jesus. Ao descerem da montanha, Jesus recomendou-lhes: Não faleis a ninguém desta visão, até que o Filho do Homem tenha sido ressuscitado dos mortos.

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