23 setembro 2017

CATEQUESE




Catecismo Breve

«Ortopráxis - maneiras de viver a Ortodoxia»

5. Os «Dípticos» (lista de Intenções)

Ao entrar numa igreja ortodoxa, logo na entrada (nartex), sobre uma pequena mesa, ficam papéis impressos com uma cruz no timbre. Estes papéis se chamam "dipticos", isto é, uma lista para se escrever os nomes das pessoas ou intenções em geral pelas quais queremos rezar. Para que esta lista de intenções seja lida de forma correta, é preciso observar o seguinte:

Escrever de forma clara e legível (melhor, com letras de forma), não anotando mais do que 10 nomes ou intenções.

Anotar distintamente se é "pela saúde" de alguma pessoa viva ou "pelo descanso eterno" de alguém já falecido. Algumas listas já tem esta separação impressa com o título "Vivos" e "Falecidos";

Escrever os nomes completos, não somente sobrenomes ou apelidos;

Identificar através do respectivo título ou função, se a pessoa por quem queremos rezar for eclesiástico ou militar.

Não é necessário que se diga o grau de parentesco do autor(a) das intenções com a pessoa por quem se pede orações.

Pode-se indicar estados de enfermidade, desaparecimento, viagem, aprisionamento das pessoas pelas quais pedimos orações. Não é necessário indicar os estados como o de "gravidez", viuvez, virgindade, entre outros do gênero.

Até 40 dias de falecimento, diz-se: "pelo descanso" ou "repouso"; após este tempo, nas datas de memória, diz-se apenas "de eterna memória".

Não se reza pelo "descanso da alma" de um santo canonizado pela Igreja. 

«O sacerdote retira as partículas de intenções da prósfora»

A lista de intenções pode ser entregue alguns dias antes ou, no mesmo dia da Liturgia (para isto deve se chegar mais cedo à igreja), para que seja usada durante a "proscomidia" (primeira parte da Liturgia na qual se faz a preparação do pão e do vinho). A cada intenção são retiradas pequenas partículas da "prósfora" (palavra grega que significa pequeno pão arredondado) que, após a comunhão dos fiéis, serão misturadas ao Sangue de Cristo, enquanto o celebrante suplica a Deus pelo perdão dos pecados daquelas pessoas em memória das quais foram retiradas. Também, estas intenções podem ser proclamadas pelo diácono durante a procissão da Grande Entrada.

As listas de intenções (dípticos) podem ainda ser utilizadas para outros Ofícios Litúrgicos da Igreja, tais como os ofícios Molébens, Memoriais (pelos falecidos) etc. Neste caso, esta mesma lista onde estão as intenções pelas quais rezamos em todas as Liturgias são distribuídas aos sacerdotes e diáconos concelebrantes. Por isto mesmo, ter o nome incluído em uma destas listas é uma grande graça, porém, se assim o desejamos, devemos nos comprometer em ajudar o sacerdote ou diácono com nossas orações e em suas necessidades.

São conhecidos como dípticos certas placas de marfim, madeira ou metal, decoradas com relevos ou pinturas e unidas de modo que possam prender-se do mesmo modo que as páginas de um livro. Se são de três folhas, denominam-se trípticos e se tem mais, polípticos. Por extensão, se chamam também trípticos e polípticos os quadros divididos em compartimentos de maneira que imitem os verdadeiros trípticos ainda que sejam de notáveis dimensões e não possam ficar presos.

Adotando a Igreja desde os primeiros séculos o costume romano, teve seus dípticos eclesiásticos, adornados por fora com temas religiosos e dispostos por dentro para escrever-se neles (gravando-os na mesma lâmina ou escrevendo-se sobre folhas de pergaminho alí aderidas) os nomes de pessoas beneméritas, seja da hierarquia eclesiástica e civil, seja de mártires e de fiéis defuntos que deviam ter-se presentes na Liturgia. Havia dípticos de vivos e dípticos de falecidos que se liam durante a Liturgia.

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